Altos Papos

Agredida após crítica a Bolsonaro, jovem estava fazendo campanha para candidatos do PT e PSOL

A Polícia Civil afirma que foi Robson Dekkers Alvino, de 52 anos, o autor da agressão contra Estefane de Oliveira Laudano, de 19 anos, por conta de divergência política. Ela e outras amigas estavam em um bar de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (23), e faziam críticas ao candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), quando foram interpeladas pelo homem, que segundo elas aparentava estar embriagado. Após discussão, ele foi expulso do estabelecimento e, logo em seguida, retornou com um pedaço de madeira, que usou para golpear uma das jovens na cabeça. A garota precisou ser levada ao hospital e recebeu pontos. O suspeito responderá em liberdade pelo crime de lesão corporal.

Ainda segundo a 116ª DP (Angra dos Reis), que investiga o caso, o grupo alvo do ataque fazia panfletagem naquele dia a favor das campanhas de Waldeck Carneiro (PT), candidato a deputado federal, e Professor Josemar (PSOL), que concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio, ambos de partidos de esquerda e que apoiam o ex-presidente Lula (PT) na corrida pelo Palácio do Planalto.

Nas redes sociais, Robson Alvino exibe seu apoio à campanha de Bolsonaro e se identifica como sócio proprietário de um salão de beleza de Angra. Em uma montagem sua com a foto do presidente, ele comenta: “que seja feita a vontade”, sobre a possibilidade de reeleição do candidato do PL. Ele também posa em uma foto vestindo uma camisa estampada com o rosto do atual chefe do Executivo nacional e, em outra publicação, faz crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso
Segundo o relato de testemunhas, Alvino, ao ouvir os comentários contra Bolsonaro, saiu em defesa do candidato à reeleição e deu início a uma discussão, que acabou culminando em sua expulsão do local pela proprietária. Em seguida, porém, ele retornou com um pedaço de madeira e atacou o grupo, atingindo Estefane de Oliveira Laudano com um golpe na cabeça.

— Estávamos conversando e eu vi o status de um amigo numa rede social, que dizia: “Minha bandeira é verde e amarela”. Embaixo, menor, completava com um “mas meu voto é 13”, só que na hora eu não notei, então comentei com a minha irmã, brincando: “Ué, gente, ele vota no Bolsonaro? Não tenho amigo bolsonarista não” — conta Esther de Oliveira Laudano, de 24 anos, irmã da vítima: — Nesse momento, esse homem, que eu nunca vi na vida, já se intrometeu dizendo que era Bolsonaro, perguntando qual era o problema. Respondi que nenhum, que ele estava no direito, mas que ninguém havia falado com ele.

Esther afirma que o agressor insistiu nas ofensas, aos gritos, até que a dona do bar pediu para que ele se retirasse. De acordo com a jovem, o homem parecia alterado, como se estivesse embriagado.

— Ele me chamou de “maria-homem” e disse que era “gente que nem a gente que vota no Lula”. Depois, foi embora, mas não demorou para voltar com esse pedaço de madeira. Começou a berrar que, “se eu era homem, então iria apanhar que nem homem”.

Toda a confusão aconteceu em um bar no Centro de Angra dos Reis, por volta das 16h. Ferida, Estefane foi levada no colo de um amigo para a Santa Casa de Angra do Reis, situada a poucos metros do local do incidente. Depois, ela foi transferida para o Hospital Municipal da Japuíba, na mesma cidade, onde levou sete pontos na região do corte e permanece internada, com quadro estável.

Depois de se certificar que a irmã estava bem, Esther conseguiu localizar dois policiais militares, que passaram a fazer uma ronda na região em busca do agressor. Ele foi encontrado em uma rua próxima, ainda com sangue de Estefane no rosto e nas mãos, após ser contido por moradores.

As testemunhas e o homem foram conduzidos para a 166ª DP (Angra dos Reis), onde ele foi autuado em flagrante por lesão corporal. De acordo com o delegado Vilson de Almeida Silva, titular da unidade, o bolsonarista responderá em liberdade por se tratar de um crime de menor potencial. Esther e outras duas amigas que presenciaram a cena já prestaram depoimento, enquanto o agressor preferiu não dar declarações neste primeiro momento e permaneceu em silêncio.