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Brasil registrou cinco casos de raiva humana em 2022 e dois neste ano

Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou cinco casos confirmados de raiva humana em 2022. Neste ano, até agora, foram dois registros. A preocupação com a doença ganhou força após um cão testar positivo para o vírus em São Paulo, na semana passada. Foi a primeira infecção desse tipo registrada na região desde 1997.

De acordo com o Ministério da Saúde, nenhum dos pacientes que desenvolveu a doença conseguiu sobreviver. No entanto, de acordo com a pasta, o país está próximo de erradicar a doença entre a população em razão da campanha de vacinação que ocorre nos estados e municípios.

Dos cinco casos confirmados no ano passado, quatro foram notificados em uma comunidade indígena no município de Bertópolis (MG), sendo dois casos de jovens entre 10 e 15 anos de idade e dois em crianças menores de 10 anos. Também foi registrado um caso no Distrito Federal.

As infecções apresentam curva de crescimento. Em 2021, foi registrado apenas um caso, e no ano seguinte, dois. No entanto, os números ainda estão longe dos índices das décadas anteriores. Em 1990, foram contabilizados 50 casos. No mundo, até os dias atuais, foram 70 mil infecções, em que apenas cinco pessoas sobreviveram, entre elas, dois brasileiros que, até hoje, sofrem com graves sequelas de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade de raiva humana no ano passado foi de 0,00246/100 mil habitantes. Nenhum caso de raiva humana foi registrado em pessoas que fizeram uso de soro e vacina em tempo adequado e oportuno. O Brasil registra cerca de 650 mil atendimentos antirrábicos ao ano.

O governo recomenda que pessoas que tiveram algum tipo de exposição procurem atendimento médico com urgência. “É muito importante orientar a população, a qualquer contato com cão ou gato, morcegos ou mamíferos silvestres (cachorro do mato, saguis etc), para que procure imediatamente o posto de saúde para avaliação quanto à necessidade de imunoprofilaxia adequada e oportuna”, destaca o texto da pasta.

Caso procure atendimento no tempo adequado, é possível impedir o desenvolvimento da doença. A vacina aplicada em cães e gatos protege por mais de um ano, mas a orientação é fazer a imunização anualmente. No caso dos seres humanos, a imunização ocorre para profissionais que atuam em contato com animais, como veterinários, e pessoas que podem ter sido expostas.

Veja quais são os sintomas da doença:

Os sintomas nos seres humanos ocorrem após o período de incubação. Os sinais e sintomas clínicos inespecíficos da raiva, que duram em média de 2 a 10 dias, evoluem para um quadro de encefalite.

Nesse período, o paciente apresenta:

  • Mal-estar geral
  • Pequeno aumento de temperatura
  • Anorexia
  • Cefaleia
  • Náuseas
  • Dor de garganta
  • Entorpecimento
  • Irritabilidade
  • Inquietude
  • Sensação de angústia

Após essa fase, surgem manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade, febre, delírios, espasmos musculares involuntários, generalizados e podendo ser acompanhados de convulsões. Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando salivação intensa.

Os espasmos musculares evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal (quando o paciente não consegue eliminar as fezes por vários dias). Observam-se, ainda, sintomas como de dificuldade para engolir, aerofobia, hipersensibilidade auditiva e fotofobia.

Por Correio Brasiliense

Foto: César Ferreira/Prefeitura de Campos