Altos Papos

Impeachment de Moraes será ampliado e terá coleta pública de apoios até setembro

A oposição no Congresso Nacional decidiu apresentar o pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes apenas em setembro.

Dois motivos baseiam essa decisão.

O primeiro é aguardar fatos novos do material obtido pelo jornal Folha de S. Paulo. O jornal revelou nesta terça-feira, 13, que o setor de combate à desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teria sido demandado de forma não oficial pelo gabinete de Moraes, durante e após as eleições de 2022.

O próprio jornal informou ter 6Gb de material que embasará uma série de reportagens.

A avaliação dos senadores envolvidos na elaboração do pedido é de que é melhor aguardar a publicação dessas reportagens para que o pedido seja mais robusto.

O segundo motivo é que os senadores pretendem iniciar uma coleta pública de assinaturas até o dia 7 de setembro, de modo a assegurar, segundo seus idealizadores, uma força política maior do pedido.

A ideia é entregar o documento ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no dia 9 de setembro.

“Ontem, antes mesmo da reportagem da Folha, já tínhamos conversado com deputados e senadores e avaliado que já tinha mais de ano que não tinha pedido de impeachment e nesse período tiveram muitos casos graves de abuso de poder”, disse à CNN Brasil o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

“E decidimos lançar uma campanha nacional de apoiamento para dar entrada após o dia 7 de setembro. E no dia 9 de setembro a gente entrega ao presidente do Senado”, continuou o parlamentar.

Ainda segundo Girão, a equipe que está cuidando do pedido “virou a noite aqui para incluir esses fatos publicados pela Folha”.

“O pedido então está em construção e será entregue em setembro”, finalizou.

Além das reportagens da Folha de S. Paulo, o pedido também terá por base os seguintes pontos:

  1. Violações de direitos constitucionais e humanos;
  2. Violações ao devido processo legal e o sistema acusatório;
  3. Abusos de poder;
  4. Prevaricação na situação que desencadeou a morte de Clezão;
  5. Desrespeito ao Código de Processo Penal com a utilização da prisão preventiva como meio constrangimento para obtenção de delações premiadas;
  6. Desconsiderar pareceres do PGR no sentido da concessão da liberdade de aprisionados do dia 08/01;
  7. Violação das prerrogativas dos advogados;
  8. Não concessão de prisão domiciliar ou liberdade provisória para pessoas com problemas de saúde graves;
  9. Dilatação das prisões preventivas sem a apresentação da denúncia pelo MPF;
  10. Violação de direitos políticos de parlamentares no exercício das suas funções.

Por CNN Brasil

Foto: André Ribeiro/Futura Press/Estadão Conteúdo