A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, atribuiu ao calendário eleitoral os ataques do prefeito José Ronaldo à regulação estadual. Para ela, a mudança repentina de discurso expõe a submissão política do gestor a ACM Neto.
“É triste ver um político experiente como Zé Ronaldo se prestar ao papel de mentir para cumprir as ordens do seu chefe. Há poucos meses, ele conversava normalmente com o governador e nunca usou essa linguagem. Nesta sexta-feira, voltou a chamar a regulação de ‘fila da morte’. Não é preocupação com os pacientes. É obediência ao patrão”, afirmou.
Roberta lembrou que Zé Ronaldo governa Feira direta ou indiretamente há quase 20 anos, mas a segunda maior cidade da Bahia continua sem hospital geral municipal e sem oferecer leitos próprios à regulação. “Se a saúde entregue pela Prefeitura de Feira servisse de exemplo para a Bahia, teríamos o pior atendimento do Brasil. Com certeza”, ironizou.
“Zé Ronaldo chega a dizer que tem a solução. Que solução é essa? Se entende tanto do assunto, por que nunca encontrou uma saída para melhorar a saúde municipal de Feira, uma das mais precárias da Bahia? É inadmissível que uma cidade com tamanha pujança econômica ofereça postos fragilizados, atendimento insuficiente e nenhum hospital geral municipal. Antes de prometer solução para o Estado, deveria resolver o abandono que administra dentro de casa”, declarou a secretária.
Para Roberta, o prefeito também passou a reproduzir o comportamento político de ACM Neto. “Parece que Ronaldo incorporou a personalidade de Neto: reclama, reclama, reclama e nada faz. Repete ataques, aponta culpados e promete soluções, mas foge da responsabilidade de melhorar a rede municipal que administra”, criticou.
Somente em julho, moradores denunciaram falta de medicamentos e materiais básicos em unidades do Aviário, George Américo, Campo do Gado Novo e Mantiba. O secretário municipal admitiu falhas no abastecimento. No mesmo período, 45 unidades básicas e duas policlínicas ficaram sem internet, prejudicando a marcação de consultas e exames.
A gestão municipal também foi alvo de recomendação do Ministério Público por irregularidades no Tratamento Fora de Domicílio, entre elas transporte insuficiente, suspensão da ajuda de custo, longas filas e pacientes impedidos de viajar mesmo com consultas marcadas.
“Zé Ronaldo tenta esconder postos fragilizados, falta de medicamentos, serviços paralisados e a inexistência de um hospital municipal. A Prefeitura coloca o paciente na regulação e culpa o Estado pela retaguarda que nunca construiu. Abandonar a própria responsabilidade para agradar ACM Neto não é defender Feira. É servidão política”, concluiu Roberta.






