Altos Papos

Bolsonarista invade festa de petista, os dois trocam tiros e morrem

O guarda municipal de Foz do Iguaçu (PR) e um dos líderes do PT na cidade, Marcelo Arruda, foi morto a tiros enquanto comemorava sua festa de aniversário de 50 anos, na madrugada de domingo, 10. A vítima, ao ser atingida, revidou e baleou o acusado identificado como o agente penitenciário federal Jorge José da Rocha . Os dois morreram.  

Segundo testemunhas, estavam reunidas cerca de 40 pessoas, entre familiares e amigos na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu (Aresfi) quando a festa, com temática petista, foi invadida por Jorge José da Rocha, que é apoiador do presidente Jair Bolsonaro. A confusão começou quando o homem entrou no lugar de carro gritando “Bolsonaro” e “mito”. O bolsonarista chegou a ser convencido a ir embora, mas ameaçou voltar. O petista então buscou uma arma no carro e, no estacionamento, foi baleado pelo bolsonarista com pelo menos dois tiros. O petista revidou e acertou o agente penitenciário na cabeça.

Marcelo Arruda morreu no local e Jorge José faleceu no hospital. O guarda municipal, que é filiado ao PT, deixa esposa e quatro filhos, incluindo uma menina de seis anos e um bebê de um mês.

“A festa era com temática do PT. Por volta das 23h um sujeito que ninguém conhecia apareceu xingando os convidados, chamando o Lula de desgraçado e esbravejando o nome do Bolsonaro. O maluco disse que voltaria para matar todo mundo. E ele voltou”, detalha André Alliana, amigo próximo da vítima, em entrevista ao site Brasil de Fato.

Poucos minutos depois destas imagens, o homem desconhecido voltou ao local já com uma arma em punho para cumprir suas ameaças. Segundo outras testemunhas que presenciaram o atentado, o autor do crime aparentava estar sob efeito de drogas. Mais tarde, o homem foi identificado como Jorge José da Rocha Guaranho. Ele também morreu após ser atingido por tiros de revide no local.

Marcelo era guarda municipal há 28 anos e militante do PT, onde atuava como tesoureiro do diretório municipal. Em 2020, ele concorreu nas eleições locais como candidato a vice-prefeito indicado pela legenda. Ele também ocupava o cargo de diretor no Sindicato dos Servidores Públicos de Foz do Iguaçu. Ele deixa a esposa e quatro filhos, entre eles, um bebê de apenas um mês.

Em nota assinada pela presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e pelo coordenador de Segurança Pública do PT, Abdael Ambruster, o partido lamentou o ocorrido e prometeu cobrar mais empenho das autoridades contra a violência política:

“Marcelo estava na flor da idade, tinha uma vida pela frente com sua família, esposa e quatro filhos, a quem prestamos nossa total solidariedade e apoio, e sonhava com um Brasil justo e democrático, fraterno e solidário, que queria construir com o povo brasileiro a partir da derrota do fascismo e da eleição de Lula Presidente”, destaca um trecho da nota.

Segundo a sigla, o autor do disparo é resultado da política praticada pelo atual presidente da República Jair Bolsonaro (PL). “Embalados por um discurso de ódio e perigosamente armados pela política oficial do atual Presidente da República, que estimula cotidianamente o enfrentamento, o conflito, o ataque a adversários, quaisquer pessoas ensandecidas por esse projeto de morte e destruição vêm se transformando em agressores ou assassinos.”

Além do partido, a prefeitura da cidade paranaense também emitiu nota lamentando o ocorrido.