Passei horas vendo o perfil de uma modelo, empresária e influenciadora, tida como “a namorada do banqueiro preso”. Ela é Martha Graeff. Ele, Daniel Vorcaro, do extinto banco Master. O nome da influenciadora aparece nos autos como vítima.
Não há nenhuma acusação contra ela. Por enquanto, o que há é a curiosidade natural em relação a um arquétipo clássico, o da “namorada do acusado”, que tem levado muita gente a procurar as redes sociais de Martha. Foi o que fiz também.
O primeiro impacto de seu perfil no Instagram, todo em inglês, vem do combo beleza + riqueza dos posts mostrando seu “lifestyle”. É hipnotizante ver uma modelo linda, em um apartamento luxuoso de Miami, vestindo looks caríssimos, fazendo publis, enquanto compartilha os alimentos e suplementos que ingere para manter sua forma física. É fácil entender que um banqueiro bilionário se interesse por uma mulher belíssima, interessante e bem-sucedida e queira tê-la ao lado.
Mas, e o outro lado? Por que uma mulher belíssima, interessante e bem-sucedida se envolveria com um banqueiro bilionário que carrega um histórico de acusações que vai de crimes financeiros a suposto envolvimento em crimes comuns?
Será que ela desconhecia as atividades pelas quais seu namorado é hoje investigado? Ou suspeitava de algo, mas não tinha ideia da gravidade das acusações? São perguntas que só o tempo e a Justiça poderão responder.
O que sabemos, de forma geral, é que sempre existiu o “amor bandido”, a atração que algumas pessoas sentem por figuras perigosas, retratada na vida e na arte. No mundo real, há o exemplo clássico de Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, assassino em série condenado que recebia centenas de cartas de pretendentes supostamente apaixonadas por ele.
Francisco, aliás, casou-se com uma admiradora que se correspondia com ele quando já se encontrava preso. O exemplo é extremo, mas mostra o quanto a mente humana pode ser complexa.
Na arte, a novela “Três Graças” (Globo) trouxe à tona o conceito de “bandivo” —o bandido gato—, representado pelo personagem Vandílson (Vinícius Teixeira). O chefe de Vandílson, Bagdá (o cantor Xamã), também faz a mesma linha de vilão sedutor.
A glamourização dessa ideia, no entanto, parece perigosa. Vivemos em um cenário trágico de violência contra mulheres em relacionamentos tóxicos com pessoas sem antecedentes criminais; não faz sentido promover qualquer conceito de “sedutor perigoso”.
A Polícia Federal afirma que Vorcaro forjou um ofício à empresa Meta para descobrir contatos de sua namorada. Isso faz de Martha uma vítima de Daniel Vorcaro, conforme os próprios autos do processo.
O caso ainda vai longe, já que a cada dia aparecem desdobramentos ainda mais intrincados. É preciso esperar que tudo seja devidamente apurado e julgado. Por ora, só podemos desejar que nenhuma vítima seja precipitadamente culpabilizada e que nenhum culpado seja intencionalmente inocentado.
Por f5






