Durante uma vistoria na semana passada, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPRJ) constatou falhas em procedimentos no Hospital da Mulher, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Foi na unidade de saúde que, no domingo (10), funcionários flagraram o anestesista Giovanni Quintela estuprando uma mulher em trabalho de parto. Ele foi preso pela polícia no dia seguinte.
Entre os problemas identificados, a Defensoria destaca “falhas no processo de preenchimento dos dados do livro do centro cirúrgico com as informações dos procedimentos” e “problemas quanto ao armazenamento da documentação das pacientes”.
A defensora Thaísa Guerreiro, coordenadora de Saúde da DPRJ, disse ter sido verificado pelo órgão estadual que protocolos, fluxos e processos de trabalho precisam ser aprimorados na unidade.
Foi dado como exemplo o fato de obstetras não terem questionado a sedação nem confrontado o anestesista orientou o pai a se retirar do centro cirúrgico.
Alerta de comissão internacional
A defensora lembrou que o Brasil já foi alertado no último relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre a verificação de um número alto de cesáreas com doses fortes de medicação que aumentam o risco à saúde e à vida das mulheres.
A CIDH alertou que o Rio de Janeiro e o Brasil devem garantir a “investigação rápida, completa, independente e imparcial dos incidentes de violência obstétrica e negligência médica”.
“Exatamente por isso a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro acompanha o caso, e atua para que os fluxos, processos de trabalho, protocolos e políticas de humanização e capacitação, sobretudo da equipe médica masculina, sejam aprimorados no Hospital da Mulher e nas demais maternidades públicas do estado”, disse a defensora.
Relembre o caso
O anestesista foi preso depois que uma equipe de enfermeiras desconfiou do comportamento do médico durante os dois primeiros partos que ele participou e decidiu filmar o terceiro procedimento.
Foi então que a equipe decidiu colocar um celular escondido e gravar o crime. O aparelho foi colocado dentro de um armário com o vidro escuro, de modo que não pudesse ser visto.
O conteúdo da gravação mostra Giovanni com o pênis na boca da mulher, que está sedada. A cena leva cerca de 10 minutos. É possível ver que, após o ato, o homem limpa o rosto da mulher e depois joga o material, que parece ser gaze, no lixo.
Giovanni foi levado para o presídio de Benfica e passou por audiência de custódia na tarde de terça (12), que converteu a prisão do médico para preventiva.
O telefone do médico também foi apreendido, assim como uma gaze que a equipe do hospital recolheu no lixo e que pode ter material biológico do médico.
Tudo passará por perícia, assim como os medicamentos coletados, já que existe a suspeita de que o médico dava mais anestésico que o necessário para as pacientes.
De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, além de médico anestesiologista, o nome de Giovanni aparece ligado a outras duas especialidades que cuidam da saúde da mulher: médico mastologista e ginecologista/obstetra.
Por G1
Foto: Reprodução






