O Brasil encerrou o ano passado com 65 milhões de inadimplentes, uma leve queda na comparação mensal depois de seguidos meses de alta. O número mostra que quatro em cada dez brasileiros estão com o nome sujo, de acordo com levantamento da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) em parceria com o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito).
Em média, o brasileiro endividado tem R$ 3.812,61 para pagar, sendo que 87% do rombo nas finanças pessoais estão concentrados nos bancos. Outro dado curioso é que o devedor tem, na média, apenas duas empresas credoras — teoricamente, o que facilita a solução para o problema.
Os dados ainda mostram que cerca de três em cada dez consumidores (33,64%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 48,13% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000. Portanto, quase metade dos devedores brasileiros possuem débitos relativamente pequenos em aberto.
O presidente da CNDL, José César da Costa, explicou que “a entrada do 13º salário e a abertura de vagas de trabalho temporário no fim do ano podem ter contribuído para essa queda que, apesar de tímida, rompe um histórico de crescimento e de recordes dos meses anteriores”.
De acordo com o especialista, a quantidade de devedores liga o sinal de alerta e “deve ser acompanhada com atenção”.
Mesmo com a queda em relação a novembro, em dezembro de 2022 o volume de consumidores com contas atrasadas cresceu 8,79% em relação ao mesmo período de 2021.
Perfil do devedor
A maior parte dos endividados brasileiros se concentra na faixa etária de 30 a 39 anos de idade — são 16 milhões de pessoas. Quanto ao gênero, há um equilíbrio: 50,87% de mulheres estão com débitos em aberto e 49,13% de homens estão encrencados.
“O início do ano é sempre um momento de gastos extras como pagamento de impostos e de compra de materiais escolares, no caso de quem tem filho, por exemplo. Por isso, o consumidor deve se manter atento ao orçamento e priorizar o pagamento das contas antes de fazer qualquer compra extra”, explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.
Quanto ao tempo da dívida, um em cada três devedores está nessa situação entre três meses e um ano. Significa dizer que a maioria dos endividados não costuma se alongar com o que deve.
Por R7
Foto: PAULO CARNEIRO/PHOTOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO






