Quando Margareth Menezes abre caminhos cantando ‘eu falei Faraó’, ela transmite na voz toda uma história de ancestralidade e força da mulher negra. E Margareth sabe disso. A artista, que completa 60 anos nesta quinta-feira, 13, sabe que mais do que uma voz, carrega um legado e uma história que mira no futuro como farol de uma nova geração.
Maga, como gosta de ser chamada, chega à idade nova com disposição de sobra para viver novas histórias.
“Eu chego querendo mais! Me sinto com vitalidade e muitos planos para a vida. As coisas que estão acontecendo à minha frente me trazem notícias de outras possibilidades, novas ferramentas para produzir música e arte. O universo das novas tecnologias está abrindo outros campos de possibilidades de trabalho. Estou muito empolgada e tenho planos para o futuro”, disse ao g1.
A menina da Cidade Baixa que deu os primeiros passos na carreira como atriz, se vê com um futuro em construção e com uma volta ao começo de tudo. Inclusive voltando a atuar profissionalmente.
“Quero ampliar mais meus horizontes, dentro do circuito audiovisual é um deles, por exemplo! Sou uma usina de ideias, sempre fui”
A Margareth do vozeirão e que arrasa quarteirões é uma artista que chega aos 60 anos disposta a se reinventar, mas, acima de tudo, a seguir como a Margareth que sempre foi. Se encontrasse a menina Margareth ainda pequena e cheia de sonhos, a artista realizada de hoje em dia diz saber o que falaria de bate pronto.
“Estamos aqui, garota, firme e forte e ainda sinto você viva dentro de mim. Muitas memórias, histórias e saudades do meu tempo de criança, mas também muito feliz de ver o que conseguimos até aqui”, diz.
Menina da Ribeira
Nascida em 1962, na Boa Viagem, região da Península de Itapagipe, em Salvador, Margareth é a filha mais velha de cinco irmãos. Sua paixão pela arte começou desde cedo e foi aflorada pela família. A pequena Maga cresceu vendo seu avô tocar violão e seus pais sempre se reuniam em volta do aparelho de som.
As serenatas e festas de largo de Salvador, como a lavagem do Bonfim e a festa de Santa Bárbara, eram programas imperdíveis da adolescência da cantora, sendo impossível não se deixar levar pelos acordes que embalavam as tradições. Foi nessa época que ela ganhou seu primeiro violão.
A Ribeira, local onde cresceu, sempre está representada nas obras e vida de Margareth. A eterna gratidão seu lugar de origem está nos detalhes ou mesmo quando questionada sobre qual o seu local favorito na cidade. Ela não excita em responder seu bairro, musicalmente descrito na ‘Lambadinha da Ribeira’.
Em 2008, Margareth criou uma Organização Não Governamental (ONG) chamada de Fábrica Cultural, na Ribeira. O projeto social oferece cursos profissionalizantes para jovens e oficinas de arte e educação para crianças do bairro.
A Fábrica Cultural passou a abrigar em o Mercado Iaô, que desde 2014, leva música, artes visuais, gastronomia, além de mais de 100 artesãos e empreendedores criativos, contando sempre com shows de Margareth, para sempre menina da Ribeira.
A Cidade Baixa segue como orgulho de Margareth até na sua relação de fé. Em 2019, a cantora baiana esteve no Vaticano, na cerimônia de canonização de Santa Dulce dos Pobres.
As obras sociais da religiosa também ficam nesta região da cidade. Margareth hoje é devota da mulher que foi sua vizinha. Dias depois de cantar no Vaticano, Maga também cantou na Fonte Nova, na primeira cerimônia local com Irmã Dulce já santa.
Em 2022, a cantora, que é embaixadora das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) pediu aos fãs que ajudem com doações para a entidade, que atravessa a maior crise da sua história.
“Esse mês de outubro é o mês do meu aniversário, e o presente que eu quero pedir para as pessoas que gostam de mim, para meus fãs do Brasil inteiro é que se você puder, colabore com a vaquinha solidária para as obras de Irmã Dulce”.
Divindade infinita do universo
Margareth Menezes hoje é referência para artistas como Xênia França, Luedji Luna, Larissa Luz, Afrocidade e Iza. A mulher negra que muitas vezes teve que enfrentar sozinha as adversidades, pavimentou o caminho para uma nova geração que hoje a reverencia.
“Me emociono quando vejo essa geração de artistas maravilhosas! Mulheres negras independentes, donas de suas carreiras no Brasil e abrindo grandes palcos. São bandleaders do seus trabalhos. Eu sei que, assim como eu, outras artistas mulheres negras da minha geração também lutaram e inspiraram. Eu agradeço do fundo do meu coração todas as homenagens e torço muito por elas e por toda essa nova geração da nossa música popular brasileira”, disse.
Margareth chega aos 60 anos com uma carreira consolidada, que dá a ela status de uma artista gigante, plural e completa. A mulher Margareth que olha para trás e vê a jovem menina sonhadora, pode ter a certeza que “apesar de tantos nãos”, ela pode dizer com orgulho que é uma ‘Alegria da Cidade’.
Por G1
Foto: divulgação






