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Na cúpula da Celac, Lula reafirma retomada da política internacional e critica Bolsonaro

Em discurso na sétima edição da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada nesta terça-feira, 24, em Buenos Aires, na Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou a retomada da política internacional do Brasil, defendeu o multilateralismo e criticou a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

“Ao longo dos sucessivos governos brasileiros, desde a redemocratização, nos empenhamos com afinco e com sentido de missão em prol da integração regional e na consolidação de uma região pacífica, baseada em relações marcadas pelo diálogo e pela cooperação. A exceção lamentável foram os anos recentes, quando meu antecessor tomou a inexplicável decisão de retirar o Brasil da Celac”, declarou o chefe do Executivo.

“É com muita alegria e satisfação muito especiais que o Brasil está de volta à região e pronto para trabalhar lado a lado com todos vocês, com um sentido muito forte de solidariedade e proximidade”, disse o presidente, destacando que o “embrião” da Celac nasceu na Costa do Sauípe, na Bahia, no ano de 2008, quando ocorreu a primeira reunião da Cúpula da América Latina e do Caribe

“Aquela reunião teve um sentido histórico e que segue muito atual. Porque foi a primeira vez que os chefes de estado e de governo da América Latina e do Caribe nos reunimos, sem qualquer tutela estrangeira, para discutir nossos problemas e buscar soluções próprias para os desafios que compartilhamos”, lembrou. “Esse espírito – de solidariedade, diálogo e cooperação – em uma região do tamanho e da importância da América Latina e do Caribe, não poderia ser mais atual e necessário”, acrescentou, citando em seguida uma série de problemas que os países têm enfrentado.

“O mundo vive um momento de múltiplas crises: pandemia, mudança do clima, desastres naturais, tensões geopolíticas, pressões sobre a segurança alimentar e energética, ameaças à democracia representativa como forma de organização política e social. Tudo isso em um quadro inaceitável de aumento das desigualdades, da pobreza e da fome”, destacou o mandatário, que aproveitou o encontro também para agradecer o apoio internacional em meio aos ataques de radicais bolsonaristas em Brasília. “É importante ressaltar que somos uma região pacífica, que repudia o extremismo, o terrorismo e a violência política”, disse ele, alertando que muitos desafios são “de natureza global” e exigem “respostas coletivas”.

No discurso, ele defendeu reforçar as relações com o Mercosul, Unasul e a própria Celac, além do diálogo com outros blocos e países, a exemplo da União Europeia, China, Índia e a União Africana. “É com esse sentimento de destino comum e de pertencimento que o Brasil regressa à Celac, com a sensação de quem se reencontra consigo mesmo”, concluiu.

Por Bahia.Ba

Foto: Reprodução/Twitter