A Polícia Federal (PF) deve concluir, em meados de agosto, o inquérito que investiga fraudes bancárias envolvendo o Banco Master. Segundo informações do jornalista Valdo Cruz, o dono da instituição, Daniel Vorcaro, preso na Papudinha, será indiciado por crimes relacionados às irregularidades apuradas.
De acordo com a apuração, o inquérito trata das fraudes que teriam sido praticadas para evitar a liquidação do banco e viabilizar sua venda ao Banco de Brasília (BRB). A investigação também deve incluir políticos que atuaram em defesa dos interesses da instituição financeira.
Entre os nomes citados está o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A PF apura a apresentação de uma emenda para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra de instituições financeiras. O parlamentar nega que a proposta tenha sido apresentada para beneficiar o Banco Master.
Outro foco da investigação é a contratação de influenciadores digitais e jornalistas para atacar o Banco Central e adversários de Daniel Vorcaro. A PF também apura suspeitas de pagamento de propina ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, para facilitar a compra de carteiras de crédito supostamente fraudulentas.
Segundo a investigação, o Banco Master vendeu ao BRB cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito por meio da empresa Tirreno. Os investigadores suspeitam que parte desses ativos não existia ou não possuía lastro suficiente.
O inquérito ainda apura o prejuízo causado ao Fundo Garantidor de Créditos, estimado em R$ 50 bilhões. Conforme a investigação, o banco oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade considerada irreal para atrair investidores, utilizando como garantia a cobertura do FGC.
Ainda segundo a apuração, no dia da liquidação extrajudicial, o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa, apesar de compromissos financeiros superiores a R$ 100 milhões.
A Polícia Federal também identificou indícios de que o banco utilizava uma rede de fundos de investimento, que à época não era fiscalizada pelo Banco Central, para inflar artificialmente seus ativos e aumentar de forma fictícia seu patrimônio. O objetivo seria evitar a liquidação da instituição e garantir a venda ao BRB.
O Banco Central, no entanto, não aprovou a operação e determinou a liquidação extrajudicial da instituição financeira. Ainda segundo as informações, Daniel Vorcaro chegou a negociar duas vezes um acordo de delação premiada, mas as propostas foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
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Por: Metro1






