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UE aprova acordo comercial com o Mercosul, que ganha novo fôlego em 2026

A União Europeia fez uma série de concessões a seus agricultores, com o objetivo de obter o apoio necessário para assinar o acordo com o Mercosul. No entanto, nenhuma medida conseguiu acalmar a indignação do setor agrícola com o pacto.

Os agricultores franceses realizaram protestos nessa quinta-feira (8) nas ruas de Paris para contestar o tratado de livre comércio, mas os países da UE aprovaram o acordo na manhã desta sexta-feira (9), com a oposição da França. Os votos precisam ser confirmados pelos governos dos 27 países do bloco, o que deve ocorrer nas próximas horas.

“É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático”, afirmou Olof Gill, um dos porta-vozes da Comissão, braço executivo do bloco de 27 países.

Confira a seguir algumas concessões que a UE realizou:

GARANTIAS PARA PRODUTOS SENSÍVEIS

Os agricultores e pecuaristas europeus estão preocupados com a futura redução de tarifas sobre produtos agrícolas prevista neste acordo entre a UE e o bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A Comissão Europeia, pressionada pela França e pela Itália, anunciou, em setembro, uma série de garantias que está disposta a conceder a seus setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, limitando a quantidade dos produtos latino-americanos isentos de tarifas e intervindo em caso de desestabilização do mercado.

Segundo um compromisso pactuado em dezembro passado entre os Estados-membros e o Parlamento Europeu, a Comissão vai abrir uma investigação se o preço de um produto do Mercosul for pelo menos 8% inferior ao da mesma mercadoria na UE, e se o volume de importações aumentar mais que 8%.

Em caso de prejuízo grave, a UE poderia voltar a aumentar temporariamente as tarifas sobre os produtos afetados.

O Executivo europeu se comprometeu a abrir uma investigação se um Estado da UE solicitar e se existir um risco suficiente de prejuízo.

PESTICIDAS PROIBIDOS

Entre os temas mais controversos, os agricultores europeus denunciam a presença nas importações de pesticidas proibidos na UE, que, em sua avaliação, constitui uma “concorrência desleal”.

Diante destas críticas, a Comissão Europeia se comprometeu a legislar sobre os resíduos de pesticidas e anunciou na quarta-feira (7) a proibição total de três substâncias: tiofanato-metilo, carbendazim e benomil, sobretudo em frutas cítricas, mangas e mamões.

Esta decisão foi tomada em resposta a uma proibição decretada pelo governo francês, que suspendeu esta semana as importações ao seu território de produtos tratados com um total de cinco fungicidas ou herbicidas, entre eles essas três substâncias.

A UE também prometeu reforçar seus controles para assegurar que as importações agrícolas respeitem as normas europeias.

Por Folhapress