A Lavagem do Bonfim, que acontece nesta quinta-feira, 15, é um símbolo da cultura baiana e tem na fé sua expressão máxima, a avaliação é do historiador e professor formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Rafael Dantas.
“Onde tem gente, onde tem povo, tem memória, tem cultura, tem resistência. A expressão máxima da festa do Bonfim é a fé. Por mais que existam pessoas que participem pelo aspecto profano, o grande motivo da festa existir é o Senhor do Bonfim, é a lavagem, são as crenças ali presentes, como, inclusive, o próprio culto a Oxalá, que permeia todo esse processo. Essa expressão, em que o povo dá a tônica da festa, é a grande característica dessa e de tantas outras celebrações na Bahia”, afirmou.
A cerimônia reúne cerca de dois milhões de pessoas, entre baianos e turistas, e percorre quase oito quilômetros, da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, até a Colina Sagrada do Bonfim, no bairro do Bonfim. Segundo o especialista, ao longo do tempo, a festa passou por transformações.
“A festa do Bonfim, assim como qualquer outra manifestação popular, passou por mudanças ao longo dos anos. Tivemos trio elétrico no Bonfim nos anos 1980. Imagine, era quase um grande carnaval. Hoje não há mais trio elétrico, e ainda bem. Mas continuam coexistindo o lado profano, o da diversão e das festas paralelas, e o lado religioso”, explicou.
Dantas também cita intervenções na própria realização da tradicional lavagem das escadarias. “A tradição da lavagem do adro e das escadarias, que inicialmente era feita por populares e hoje é conduzida pelas baianas, representa uma mudança, uma espécie de invenção da tradição, em que as baianas assumem esse papel de destaque, como ocorre até hoje. É certo que, daqui a alguns anos, a festa passará por novas alterações e adaptações, como sempre aconteceu ao longo do tempo.”






